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Equipe de sucesso começa pela contratação

Recentemente (talvez não tão recente assim) tive a oportunidade de participar de dois processos de seleção que considerei exemplares e é um bom exercício analisar o que fez esses processos e, no limite, essas empresas, tão impressionantes e de sucesso. O mais interessante é que as empresas são de setores completamente distintos e com históricos mais diferentes ainda. Uma delas é uma gigante de internet com cerca de 10 anos de existência que mudaram o mundo (virtual e real) e a outra é uma empresa familiar com mais de 80 anos atuante em alimentos, ração animal, chocolates, chicletes e outras coisitas em cerca de trocentos países.

Apesar das atuações distintas há algumas características internas que são comuns entre elas. Em especial, é público e notório que essas empresas têm uma cultura diferenciada e vemos isso refletido de diversas formas que influenciam certamente na forma de contratação:

  • Time: há um forte sentimento de realização e participação nos seus funcionários além de responsabilidade por tudo, o que funciona e o que não funciona. As pessoas transmitem sua satisfação em fazer parte do time sempre que tem oportunidade. Existe um compromisso do time com a equipe e com a seleção dos melhores (que não necessariamente são melhores que você ou eu e sim que se encaixam melhor e serão melhores para a empresa naquele momento) e mesmo que você chegue na empresa por um amigo isso é apenas um passo e até ele vai te avaliar a luz da empresa e não da sua amizade.
  • Produtos: olhando para a empresa de fora é possível identificar como ela define seu portifólio, que qualidade persegue, suas metas e objetivos para determinado mercado. É interessante notar como é fácil nesses casos definir o que a empresa faz e porquê faz desse ou daquele modo. Diferente de algumas empresas que te ligam e você ao tentar entender o que ela faz fica mais perdido do que tudo pois ela não criou uma identidade com o mercado.
  • Processos: apesar de um pouco mais difícil de ver de fora se a empresa tem alguma distinção no mercado não é tão difícil entender como ela trata seus processos (mesmo que intrínsecos). Uma empresa estagnada ou com o foco errado (no dinheiro por exemplo) é bem fácil de ser identificada até no processo de seleção.
  • A dinâmica em ambas também foi muito semelhante:

    • Transparência: nos agendamentos iniciais e em todas as interações com a empresa ou seus prestadores de serviço são bem planejadas. Há uma definição clara do objetivo de cada conversa (ex: agora vamos verificar seu conhecimento técnico nisso/nisso/naquilo; ou, você vai falar com o fulano que tem esse perfil e objetivo.), ou seja, não há surpresas ou pegadinhas, elas querem o seu melhor! Os horários são cumpridos, elas te respeitam! Desde o início você compreende a dinâmica do processo e você tem o tempo todo feedback do andamento e da sua participação, mais uma vez, respeito!
    • Alinhamento: existe uma preocupação muito grande em garantir que você entende a cultura da empresa e está alinhado com ela. O perfil esperado da vaga por diversas vezes é reapresentado explicando em detalhes o que se espera, os desafios reais (até mesmo abrindo detalhes de uma situação problemática dentro da equipe), as oportunidades (até mesmo dizendo que aquela oportunidade internacional que você está interessado deve demorar alguns anos e a sua referência não é bem uma referência normal). Para ambas as empresas eu diria que cerca de 30% do processo é buscando esse alinhamento e aqui um objetivo adicional é despertar seu interesse em trabalhar ali, estão vendendo a vaga para você!
      Existe ainda uma preocupação genuína em te conhecer como pessoa para que suas próprias preocupaçõeos e necessidades sejam devidamente endereçadas no processo.
    • Entrevista Pares: seus pares (pessoas no mesmo nível que você em outras áreas/equipes) participam do processo com um objetivo claro de avaliar a empatia para que o bom relacionamento e para garantir que as coisas vão continuar fluindo com a sua inclusão. Além disso a partir da experiência deles é que você fica sabendo o que funciona e o que não funciona, quais as características da equipe onde você vai atuar e outros detalhes do dia a dia.
    • Entrevista Chefes: um pouco mais preocupados com seu conhecimento e experiência específicos da vaga seu(s) futuro(s) chefe(s) (diretos ou indiretos chegando aos diretores) também se responsabilizam pelo seu “encaixe” na empresa e desde a entrevista você pode perceber a responsabilidade deles no seu futuro (com oportunidades, feedback, coaching, etc.).
    • Entrevista Equipe: alguns membros da equipe participam da entrevista pois é nas suas mãos que estará a continuidade do que foi vendido para eles anteriormente e esperam ter as mesmas oportunidades e desempenho de antes.
    • Entrevista RH: o último ponto é a entrevista de RH para identificar outras características de forma mais especializada (com aqueles testes bacanas) e garantir que você também fez seu processo de seleção da empresa.

    É muito bom ver um processo conduzido de forma a buscar o perfeito alinhamento entre desejos/necessidades/expectativas entre as duas partes (empresa/candidato) respeitando que ambos buscam o melhor!

    O processo claramente não é rápido, mas de forma geral não precisa levar mais de um mês, salvo a necessidade de alinhamento de tantas agendas.

    Foi um prazer participar desses processos e felizmente para mim eles foram conduzidos dessa forma e o desfecho deles foi satisfatório para todos.

    É bom pensarmos em como conduzimos nossa seleção pois esse é o ponto inicial do sucesso de nossa equipe e empresa.

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